Design e Fotografia

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Não confie no seu monitor

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Quando se trabalha com impressão profissional e tratamento de fotografia é essencial que o que vemos no monitor e o resultado impresso sejam coerentes. Muitas vezes não é o que acontece. Existem dois possíveis motivos.

O primeiro deles é o próprio monitor no qual trabalhamos. Monitores são dispositivos de emissão de luz. Trabalham com a combinação de cores primárias de luz, vermelho, verde e azul (em inglês Red, Green and Blue, abreviando, RGB). Impressos são objetos que refletem luz, trabalham com as cores secundárias de luz, ciano(c), magenta(m) e amarelo(y), somados ao preto(k), que dá contraste (cmyk). Ciano, magenta e amarelo combinados não produzem preto, mas um marrom ‘sujo’. Um processo tem 3 canais de cor, o outro quatro, pois com 3 apenas não funcionaria. Essa peculiaridade explica em parte as inconsistências de cor entre os dois processos. Para que monitor e impresso combinem, ambos precisam estar calibrados. Isso não se faz “no olho”, mas através de equipamentos chamados calibradores, que criam um perfil (arquivo) que armazena as informações do dispositivo, o icc profile.

O outro motivo é o gamut. O espectro de cores que é percebido pelo olho humano é maior do que o espaço de cor dos monitores e o espaço de cor possível de ser impresso não só é menor ainda como abrange áreas um pouco diferentes. Há cores que o monitor mostra que não são possíveis serem impressas. Por mais calibrados e próximos estejam, monitor e impressora, sempre haverá diferenças.

Quando trabalhamos profissionalmente, nossas images serão impressas em outros lugares que não nossas impressoras, portanto é importante que o lugar que vai imprimir/ampliar nossas imagens fornaça o icc profile de seu equipamento. É a única garantia de fidelidade.

Ele está em um ambiente corretamente ilumindo? A temperatura de cor, a intensidade e direção das luzes são adequadas? Isso também é parte do conceito de conforto ambiental que afeta diretamente o rendimento do trabalho. Temperatura ambiente, postura correta e mobiliário adequado também são importantes, mesmo não afetando imediatamente a questão “cor”.

Monitores

Os monitores CRT (catodic ray tube) são bons. Aceitam bem a calibração de cor. Mas são cada dia mais raros. Custo das plantas de produção, mão-de-obra, tempo e complexidade de fabricação os tornaram desinteressantes aos fabricantes.

A quase totalidade dos monitores atuais, LCD (liquid cristal display) são de um tipo de painel chamado TN (twisted nematic), que não aceitam, adequadamente, calibração de cores e não são capazes de emitir cores reais 24-bit (16.720.000 cores), fazendo-o por simulação. São ótimos monitores para vermos televisão, assistirmos DVD e brincarmos com videogames. Tem o chamado tempo de acesso baixo, em milissegundos. Mas estabilidade e intensidade de cor estática, menor gamut (espectro de cores ou gama) e ângulo de visão estreito. É um tipo de painel barato, por isso mais acessível.

Existem outros dois tipos de painel LCD, mais caros, óbvio. O VA (vertical alignment) e o IPS (in plane switching) e suas variações. Os VA (s-PVA e m-VA), apesar da adequada capacidade de reproduzir cores, tem regeneração lenta. Tem ótimo ângulo de visão. Os IPS (s-IPS, h-IPS e e-IPS) são os melhores em amplitude, ângulo de visão e confiabilidade e estabilidade de cores. Monitores VA e IPS, então, são mais caros e ainda pouco usados no Brasil.

Os monitores LCD funcionam por emissão de luz por trás do painel, chamada CCFL (cold cathod fluorescent lights). Há também a W-CCFL, que produz um gama mais amplo, mas esse tipo de monitor ainda não é comum. O painel produz “resistência”, necessitando fontes de emissão estáveis e intensas. Quanto melhor o painel, maior resistência.

A tecnologia mais atual usa emissores de luz fria chamados led (light emitting diode), que  tem baixo consumo e não usam mercúrio e chumbo na sua fabricação – são portanto menos poluentes em sua fabricação e descarte. Sua luz gera menos calor, é instantânea e não produz vibração e choque, além de resposta rápida. Existem dois tipos de led, o Withe-led e o RGB-led. Esse último é o que produz cores mais vivas, vibrantes e brilhantes.

Calibração

Processo de ajuste das intensidades das emissões de luz dos canais de cor – (R)ed, (G)reen e (B)lue – em que os pixels (picture element, menor ponto de luz de um dispositivo, que mede aproximadamente 0,34 centésimos de um milímetro – 1 polegada dividida por 72, mesma medida do ponto gráfico, medida básica do processo de impressão). Se faz com um colorímetro ou calibrador de cor. É ligado ao computador, normalmente por uma entrada USB. O software emite intensidades, da ausência a emissão plena de luz, por cada canal de cor individualmente e por todos juntos. O sensor lê e o programa identifica a temperatura de cor correta e seus desvios no monitor que está sendo ajustado. Dois monitores de mesmo fabricante e do mesmo lote não emite cor de forma igual. O processo é feito em cada monitor e não é permanente. Periodicamente ou antes de começar um novo trabalho o processo deve ser refeito. O resultado de cada procedimento é gravado em um arquivo chamado ICC (International Color Consortium) profile.

Assim como acontece com os monitores, as impressoras profissionais precisam ser calibradas e a gráfica, bureau ou laboratório deveria forecer o perfil aos clientes, mas essa ainda é uma prática pouco comum – infelizmente – no mercado brasileiro, aumentando o gasto com provas de pré-impressão e problemas de relacionamento com os clientes.

O pixel

É o menor elemento de uma tela. O seu 0,34 centésimos de milímetro é dividido em três canais de cor e cada canal emite 256 etapas de luminosidade (luz branca, a cor primária e produzida por um filtro), do zero (preto, ausência de luz) ao 255 (branco, luz plena). A combinação de intensidades gera as cores. Quando as 3 luminosidade são iguais, temos cinzas, do quase preto (254,254,254) ao quase branco (1,1,1). Em 128, 128, 128, temos o cinza médio.

Written by José Antonio de Oliveira

outubro 29, 2008 às 9:46 am

Publicado em Cor

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2 Respostas

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  1. Nossa… lembrei das aulas de gráfica.. rs (bem mais aprofundado, obviamente)… Engraçado que falei com uma das meninas hoje sobre isso… Tinha um monitor lá num laboratório de pc incrivelmente ‘descalibrado’…

    Que bom que tá postando artigos! xDD
    Mas Zé.. Dois blogs?? Assim fica difícil decidir onde comentar… huahuahua
    Decida-se! =P

    Bjuus!

    Jessica Cezar

    setembro 1, 2009 at 3:22 am

    • Esse período eu estou “pegando mais pesado” na teoria. Vai rolar uma provinha básica no final do período. Os 2 blogs serão iguais, mais adiante um vai ser desativado, vai depender do que me der mais recursos e versatilidade.

      Beijos, Jessy!

      José Antonio

      setembro 1, 2009 at 3:36 am


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