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Tipografia

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Todo processo de leitura produz cansaço. Um dos desgastes é o cansaço visual. O conforto ambiental (novamente ele), o corpo do texto, o tipo de papel, a iluminação, o silêncio, a postura física são alguns fatores que acentuam ou atenuam o desgaste. Como vamos tratar de tipografia, o tipo, as famílias de tipos, os corpos de texto são nosso assunto nesse texto.

Não lemos linearmente. Não lemos letra a letra, palavra a palavra, frase a frase. O processo de captura ótica do texto é caótico. O olho percorre as linhas, vai, volta, apreende mais do que compreende. O cérebro junta tudo e dá sentido, compreensão. Quanto mais conhecemos o desenho, a forma, os encaixes dos pares, os vazios, a pontuação, menos cansativo é o processo de leitura, mais fácil é o trabalho do cérebro de juntar tudo.

Tipografia vem do grego. Typos significa forma e graphein, escrita. Tipografia é quase o ato de vestir as palavras. Existe uma leitura que está além da leitura. Quem vai ler nossos textos? Em que prováveis situações? Que reações queremos e esperamos? De que forma, a forma pode ajudar (ou não atrapalhar) o conteúdo. Nesse terreno movediço nos movemos nesse momento. Vamos lá.

Da origem das serifas

Faz muito tempo que se escreve e lê. Os antigos gregos construiram a base do nosso alfabeto, provavelmente aprendido com os mercadores fenícios. Os romanos incorporaram a escrita grega e definiram nosso alfabeto de 26 caracteres. 26 glifos. Na escrita do estado, a dos monumentos e lápides, que narram as histórias, todas as letras eram maiúsculas. Lapidares. Gravada em pedra e metal, produzindo relevo em seus suportes. Da gravação surgiram sulcos e alongamentos nas extremidades, que, hoje, chamamos de serifas. Sua função tanto poderia ser criar uma linha ótica para guiar a leitura quanto uma forma de não permitir que detritos, poeira e insetos se aculmulassem dentro do desenho da letra. A água – da chuva – lavava e escorria. Supostamente esse nome aparece muitos séculos depois, derivado do holandês schriften (penada, literalmente, pois um dos instrumentos usados para escrever era a pena de ganso), pois os alongamentos se mantiveram no desenho da letra quando a escrita é uniformizada pelo bispo da Escócia, Alcuin, por ordem do imperador romano Carlo Magno, que ao se converter ao cristianismo, resolve unificar a escrita da Bíblia. Maiúsculas e minúsculas – até então usadas apenas na escrita cotidiana em materiais moles, passam a ser escritas juntas, cria-se o espaço entre palavras e a pontuação.

Curiosidade, são as versaletes, minúsculas no tamanho (70% da altura das maiúsculas), mas capitulares (letras maiúsculas que abrem capítulos de livros, antigamente ornamentadas, desenhadas ou iluminadas) no desenho. Os gregos escreviam as narrativas épicas em versos com elas. As maiúsculas chamam-se, por isso, versais. As de desenho pequeno, o diminutivo, versaletes.

Written by José Antonio de Oliveira

setembro 4, 2009 às 10:02 pm

Publicado em tipografia

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