Design e Fotografia

Just another WordPress.com weblog

As impressões

leave a comment »


Podemos dividir os processos de impressão profissional em cinco tipos. Off set, rotogravura, flexografia, serigrafia e impressão digital. O sexto processo, a tipografia, hoje, faz parte da história. Uma bela história, é verdade, mas história.

O processo de uso mais comum, mais disseminado, é o off set. Herdeiro de um processo chamado litografia, que atualmente só é usado em impressões de desenhos em escolas de arte. Descoberta em 1778 por Louis Senefelder, na Baviera, consiste de uma pedra (litho), extremamente porosa, que absorve água com muita facilidade. De tão usada, quase não existe mais. Ao se desenhar sobre ela, de maneira espelhada, com materiais gordurosos – lápis, tintas e vernizes – sela-se a superfície. Depois, molhada, recebe uma fina camada de tinta. Onde há a imagem, a tinta adere, onde é lisa e molhada, não há aderência de tinta. Usada como um carimbo, o papel é pressionado por um rolo contra a pedra, transferindo-se a imagem. Senefelder descobriu o processo para copiar partituras musicais para a sinfônica de sua cidade. Era esse o seu trabalho, fazer 80 cópias das peças sinfônicas. Ganha pouco. Descobriu um processo eficiente de impressão. Ficou rico. Litografia foi muito usada para impressão de grandes cartazes e rótulos de caixas e garrafas.

Em 1904, o litógrafo Ira Washington Rubel descobriu – diz-se que por acaso – que se a imagem entintada da pedra fosse transferida para um rolo de borracha e depois para o papel, além de ficar mais bem impressa, não precisaria ser desenha espelhada. Essa lógica, da imagem de tinta passar da matriz para o cilindro e depois para as folhas, ganhou o nome de off set. Com a invenção do processo fotográfico, na Europa, por Daguerre (e em Campinas, Brasil, por Hercule Florence), não era mais necessário desenhar na pedra, transferindo a imagem fotográfica para ela. A pedra foi então substituída pela chapa de metal, fina, leve e flexível. Há registros de impressões litográficas, em cores, usando várias pedras como matriz, há casos onde foram usadas 12 pedras. Trabalho pesado.

O off set existe em dois tipos de impressora, as planas (a folha é comercializada nos formatos 66x96cm – BB – e 106x72cm – AA) e as rotativas, que usam bobinas de papel. A Editora Globo, O Dia, Folha de S. Paulo, Estadão, por exemplo, usam rotativas off set. São impressoras velozes e produzem grandes tiragens.

O rival direto é a rotogravura (patenteada por Thomas Bell em 1784, mas efetivamente criada por Karl Klic em 1860, herdeira da gravura artística em metal), por ser um processo de impressão apenas rotativo e onde um cilindro de ferro, revestido por cobre e cromo que é gravado por imensas máquinas com ponteiras de cabeça de diamante, as quais fazem pequenos rebaixos no metal, a retícula da imagem e do texto, de tamanhos e concentrações diferentes. A tinta é mais líquida que a do off set, que é mais pastosa. Ela entra nesses rebaixos e é absorvida pelo papel por contato, transferindo a imagem. Quanto mais fundo, mais tinta no rebaixo, mais densa a impressão e maior o ponto. A Editora Abril e o Diário de Pernambuco, entre outros, usam rotogravura. A gravação do cilindro é mais demorada que a chapa, mas enquanto a chapa imprime até 500 mil exemplares, o cilindro suporta até 10 milhões de impressões. Depois de usado, essa superfície é arrancada, para novo banho dos metais. Só imprime superfícies flexíveis. É a matriz mais cara.

Na flexografia, um cilindro de plástico (polímero) é coberto por uma emulsão fotográfica. Uma outra forma é a utilização de um cilindro de borracha, onde a imagem é gravada em relevo na superfície. Sua grande diferença para a rotogravura, apesar de imprimir quantidades menores (1 milhão de exemplares por matriz), é permitir a impressão em superfícies rígidas e flexíveis.

A serigrafia, ou silk screen, serve para imprimir tecidos. Camisetas. Esse é o mais comum e conhecido dos seus usos. Mas ele é usada para imprimir papéis, plásticos, adesivos, outdoor tradicionais (L32, os mais comuns, de 32 lâminas separadas). Por seu baixo custo, é usada para pequenas e médias tiragens. Uma tela de tecido, normalmente nylon, bem esticada em um quadro de madeira ou metal, recebe uma camada de cola com sal de prata e depois de seca é exposta à luz muito intensa sobre o original em preto sobre uma transparência, que pode ser laserfilm, papel vegetal ou fotolito. É lavada com água. Onde a luz atingiu a emulsão, ou seja, passou pela transparência do original, a emulsão endurece. Onde a luz não atingiu (as áreas de imagem, em preto), a emulsão amolece e sai da tela com o jato d’água. Nessas áreas, na impressão, a tinta passa pela tela. As telas de impressão em plásticos e papéis tem tramas muito concentradas e finas. As de impressão em tecido são mais abertas. As tintas também são diferentes, à base de água para tecidos e de resinas para papéis e plásticos.

A impressão digital é o processo mais recente e ainda vai evoluir muito e se mesclar com os outros. Imprime direto do arquivo, podendo usar tintas líquidas dos mais variados tipos (base de água, pigmentos resistentes à água, com base em carvão, tonner seco, ceras etc.).

Em comum, todos esses processos são de impressão em cmyk. Não existem processos de impressão em rgb.

Written by José Antonio de Oliveira

novembro 11, 2009 às 11:45 pm

Publicado em Impressão

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: