Design e Fotografia

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Archive for agosto 2013

Um pouco mais sobre essa confusão toda

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Já que falei sobre tipografia… amar tipos, como todo amor, não tem nada de racional, na minha modesta opinião. Você olha, algo desperta, você se apaixona. Diriam muitos que amor e paixão não são a mesma coisa. Não é sobre isso que eu estou escrevendo, se algum dia fizer um blog sobre outros assuntos, quem sabe, discuta essa e outras bobagens.

Se isso passa? Acho que não, depois de algumas décadas ainda não passou. Entretanto conhecer, entender e até passar a construir tipografias (sim, estou tentando cometer isso…) é extremamente racional, ao menos para minha mente, sempre tão analítica. Quanto mais eu estudo, desenvolvo, experimento, mais amo. Não é nada tão grave assim, é sereno até.

Tive – o que considero uma sorte – a felicidade de conviver um tempo, mesmo que curto, com o processo de composição e impressão tipográfica. É daquelas coisas que são mais claras em inglês que em português, pela simplicidade dos conceitos. O que chamávamos de tipografia, processo de composição e impressão de textos, em inglês chama-se typesseting para compor e letterpress, para impressão. Por essas terras aqui, ambos os processos quase não existem mais, em função do fluxo de trabalho ter se tornado digital, inviabilizando economicamente o processo, mas também fruto de uma certa cegueira comercial. Há, em pequena escala, em outros países, experiências de alta qualidade em impressão. No Brasil quase tudo virou metal derretido.

Tipografia também era sinônimo de gráfica, lugar onde se imprimiam livros, revistas, jornais. Em inglês, typography, é o processo de desenvolver (design, significando projetar, draw, significando desenhar) famílias de fontes. Aqui reside a concepção que me interessa, no momento.
Quando escolhemos uma fonte, partimos de critérios objetivos e subjetivos, relacionados aos que queremos ou imaginamos transmitir. Há muito mais do que vemos sendo processado em uma página impressa. Clareza, neutralidade, elegância, agilidade, precisão, encantamento, paixão, dor, alegria, raiva, sobriedade, o humano que há em nós. Fontes podem ajudar ou atrapalhar nisso.

Além disso existe o critério operacional, formatos diferentes de arquivos digitais, onde antes haviam peças de metal ou letras transferíveis. O mais antigo é o Type One (baseado na linguagem Post Script), da Adobe, que aparece na tela como uma grande letra A vermelha, que funciona nos computadores com Windows, mas não no OSX da Apple. Posteriormente foi criado o True Type, duas letras T, uma azul e a outra cinza, na tela, que funciona em ambos sistemas operacionais. Mas que por ter maior números de pontos nas curvas de sua construção (informação que só o computador “enxerga”), pode, ocasionalmente, apresentar problemas. Ok, depois eu explico essa história de pontos, curvas etc. melhor. E, finalmente, o mais moderno, versátil e complexo, OpenType, uma grande letra O, metade verde, metade preta. Todos esses formatos, como toda coisa digital, contém muito mais informações do que aquilo que vemos na tela. Mas isso é papo pra mais adiante.

Written by José Antonio de Oliveira

agosto 12, 2013 at 3:53 pm

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São tantas letrinhas pequenas…

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Preste atenção nas letras. Isso, nas letras, individualmente. Na forma delas. Olhe (não leia), em vários tipos de publicação, em diferentes livros, jornais, revistas. São tão parecidas, não? Mas, olhando bem, são um pouco diferentes. Começou a perceber? Não? Olhe mais. Pegue uma lente de aumento. Então, vou partir do princípio que deu para perceber, ao menos um pouco, certas diferenças.

Nossa escrita é alfabética, se baseia em caracteres individuais (glifos). Cada forma, um som. E apenas isso. Mas não lemos as letras, lemos as junções, as sílabas, que produzem outros sons.

Ok, o texto está ali e é assim que lemos, não? Sim e não. A leitura é um processo caótico onde os olhos percorrem as linhas a uma velocidade absurda, indo e vindo, identificando o que está escrito e o cérebro vai juntando esse processo desordenado, fazendo sentidos. Teoricamente o hemisfério direito do cérebro, que cuida do lado esquerdo, emocional, entende as formas e o lado esquerdo, que cuida da razão, junta os sentidos textuais. Agora pense, tudo parece acontecer ao mesmo tempo, instantaneamente. Muito rápido, não? “Lemos” o início das palavras mais do que elas inteiras e mais a parte superior delas do que a inferior. Parece confuso? É!

Situado o processo de leitura, talvez faça mais sentido a sutil diferença entre as fontes, as famílias, as tipografias. No início da nossa escrita não havia papel, gravava-se em pedra, metal, argila, cavando sua superfície. A característica mais marcante desse processo são as serifas. Os filetes, alongamentos, nas extremidades das letras. Serviam para escoar os detritos e água de dentro das letras, pois a escrita era exposta em lugares públicos em monumentos. Isso na Grécia, na Roma Antiga, no berço da nossa civilização e escrita. Essa peculiaridade das tipografias passou para a escrita em superfícies macias, como o velino e depois o papel, também servindo para alinhar a escrita. Nesses tempos escrevia-se com pena ou pincel, portanto o movimento da mão ao desenhar as letras influenciou sua forma. Quando se passou da escrita para as matrizes de impressão, a forma foi copiada, afinal, era como se entendia que as letras eram.
As fontes tipográficas com serifa ainda são as mais usadas em livros. Em revistas e jornais há uma mistura com as sem serifa, que só surgiram no século XIX e foram consideradas tão feias que ganharam o apelido de grotescas.
Existem outras classificações e sub-classificações, em outro post vou falar delas e acrescentar imagens.

Segundo o calígrafo e tipógrafo Eric Gill, as letras não são representação de coisas, mas coisas em si. Tem nas suas formas algo a dizer além do seu som.

Written by José Antonio de Oliveira

agosto 8, 2013 at 8:55 pm

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