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São tantas letrinhas pequenas…

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Preste atenção nas letras. Isso, nas letras, individualmente. Na forma delas. Olhe (não leia), em vários tipos de publicação, em diferentes livros, jornais, revistas. São tão parecidas, não? Mas, olhando bem, são um pouco diferentes. Começou a perceber? Não? Olhe mais. Pegue uma lente de aumento. Então, vou partir do princípio que deu para perceber, ao menos um pouco, certas diferenças.

Nossa escrita é alfabética, se baseia em caracteres individuais (glifos). Cada forma, um som. E apenas isso. Mas não lemos as letras, lemos as junções, as sílabas, que produzem outros sons.

Ok, o texto está ali e é assim que lemos, não? Sim e não. A leitura é um processo caótico onde os olhos percorrem as linhas a uma velocidade absurda, indo e vindo, identificando o que está escrito e o cérebro vai juntando esse processo desordenado, fazendo sentidos. Teoricamente o hemisfério direito do cérebro, que cuida do lado esquerdo, emocional, entende as formas e o lado esquerdo, que cuida da razão, junta os sentidos textuais. Agora pense, tudo parece acontecer ao mesmo tempo, instantaneamente. Muito rápido, não? “Lemos” o início das palavras mais do que elas inteiras e mais a parte superior delas do que a inferior. Parece confuso? É!

Situado o processo de leitura, talvez faça mais sentido a sutil diferença entre as fontes, as famílias, as tipografias. No início da nossa escrita não havia papel, gravava-se em pedra, metal, argila, cavando sua superfície. A característica mais marcante desse processo são as serifas. Os filetes, alongamentos, nas extremidades das letras. Serviam para escoar os detritos e água de dentro das letras, pois a escrita era exposta em lugares públicos em monumentos. Isso na Grécia, na Roma Antiga, no berço da nossa civilização e escrita. Essa peculiaridade das tipografias passou para a escrita em superfícies macias, como o velino e depois o papel, também servindo para alinhar a escrita. Nesses tempos escrevia-se com pena ou pincel, portanto o movimento da mão ao desenhar as letras influenciou sua forma. Quando se passou da escrita para as matrizes de impressão, a forma foi copiada, afinal, era como se entendia que as letras eram.
As fontes tipográficas com serifa ainda são as mais usadas em livros. Em revistas e jornais há uma mistura com as sem serifa, que só surgiram no século XIX e foram consideradas tão feias que ganharam o apelido de grotescas.
Existem outras classificações e sub-classificações, em outro post vou falar delas e acrescentar imagens.

Segundo o calígrafo e tipógrafo Eric Gill, as letras não são representação de coisas, mas coisas em si. Tem nas suas formas algo a dizer além do seu som.

Written by José Antonio de Oliveira

agosto 8, 2013 às 8:55 pm

Publicado em tipografia

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