Design e Fotografia

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As sem serifas

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Já estamos no séc. XIX. As serifas, que se originaram do desenho do tipo lapidar (na pedra, em lápides), começam a ser questionadas. Qual seu sentido na impressão, se não há água da chuva a escorrer, nem detritos, pois a superfície não é mais tridimensional? As extensões nas extremidades das letras seriam desnecessárias e até atrapalhariam, pois sem elas o tipo fica oticamente maior. William Caslon IV (sim, o quarto de uma dinastia de tipógrafos e impressores ingleses) criou a Caslon Jr, em 1806. Não chegou a ser um sucesso, mas um impressor ao ve-la exclamou: “mas é grotesca!” e este passou a ser outro nome das sans serif… grotescas. Nos Estados Unidos elas também são chamadas de góticas – não me perguntem o motivo, não sei, mas sei que elas nada tem a ver com o período gótico. Elas se dividem em dois desenhos básicos, as geométricas – construídas com régua e compassos – e as que tem variações no desenho, como se desenhadas à pena e à mão. As com serifa também se dividem assim, romanas humanistas ou old style ou ainda antigas, as transicionais, que apesar de ainda terem características do movimento da maão no seu desenho, são mais verticais e as geométricas, ou neoclássicas, construídas recionalmente.

Hoje, séc. XXI, a variedade de fontes é imensa (isso sem contar as manuscritas, as figurativas, grafitadas, riscadas, desconstruídas, desestruturadas, engraçadas e por aí vai), é só visitar um site de fontes grátis, como o Dafont (www.dafont.com) ou de fontes de baixo custo, como o MyFont (www.myfont.com) ou dos grandes fabricantes, como a Adobe ou a Linotype (www.linotype.com) para se ter uma ideia. Um profissional sério não usará milhares de fontes ou misturará várias. Ser “econômico” nesse caso, é uma virtude. Como a frase que marcou a Bauhaus, “menos é mais” (A Bauhaus foi uma escola alemã de design, arquitetura, tipografia, artes plásticas, cenografia, fotografia, produto… nesse exato momento acontece no MoMA, em Nova Iorque, uma exposição sobre essa escola, fundamental para se entender o modernismo, Bauhaus: 1919-1933 – Oficinas para a Modernidade… fica até 25 de janeiro de 2010. Vai passear por lá nas férias? Taí a dica).

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Written by José Antonio de Oliveira

novembro 9, 2009 at 11:13 pm

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As serifas medievais e o nascimento da impressão

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Ao fim do Império Romano sobreveio a Idade Média. O isolamento dos feudos, mosteiros, vilas e cidades, a necessidade de se defender, se proteger de quem vinha de fora, entre outros motivos, produziu um novo estilo arquitetônico, o gótico. Alongado – apontando para o céu, em um tempo onde a vida eterna era a solução dos problemas e sofrimentos da vida terrena – com janelas e portas estreitas para proteção, murado, escuro. Na escrita – e a escrita/leitura se fazia nos livros – o tipo romano foi sendo distorcido, deformado, se tornando escuro, pesado, cheio de pontas, alongados, o tipo gótico. O isolamento entre os locais onde se copiava livros, as particularidades de cada calígrafo, quem desenhava/escrevia/copiava os textos, levaram a góticos diferentes, na Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália. Podemos citar a Blackletter, a Fraktur, a Schwarbacher e a Rotunda.

Nesse tempo, por volta de 1447/1450, na cidade alemã de Mongúcia (hoje se chama Mainz), um antigo morador, Johann Geinzfleish retornou, depois de muitos anos, indo morar em uma casa no centro da cidade, chamada Casa Gutenberg, adotando como seu esse nome. Procurou um banqueiro, Johannes Furst, para se associar em um invento para imprimir textos, imprimir livros, usando pequenas peças de metal, com o desenho da letra em relevo, compondo-se o texto manualmente e usando essa matriz da página como um carimbo. Depois era só desmanchar a matriz e compor outros livros. Aos tipos desenhados e fundidos pelo próprio Gutenberg, ele chamou de D.K. e foram usados para compor e imprimir (em prensas de madeira) o primeiro livro, a Bíblia de 42 linhas. As iluminuras (desenhos que se faziam nas páginas, como as imensas letras coloridas e enfeitadas que abriam os capítulos, as capitulares, muitas vezes pintadas em ouro – daí o nome, pois clareavam as páginas, escuras, de texto). Supõe-se, hoje, que Gutenbrg tenha tido contato com a técnica, criada por uma civilização que existiu na península da Coréia no séc. XII, que usava pequenas peças de porcelana com o desenho dos ideogramas em relevo como matriz. Essa civilização foi escravizada pelos mongóis, que por não terem – até hoje – uma escrita formal, não se interessaram pelo invento, mas levaram seus escravos e seu conhecimento a Europa.

Essa história é muito mais complexa e cheia de golpes, intrigas e mistérios, mas, para nós, no momento, esses não importam muito.

Um dos aprendizes da oficina de Gutenberg, enviado pelo rei Luís XII, da França, Nicolas Jenson, ao retornar à França, encontra Carlos X como rei, que o manda embora, pois livros impressos não seriam dignos de um rei. Jenson vai para Veneza. Estamos então  final do séc. XV. Dois tipógrafos, Konrad Sweynheim e Arnold Pannartz, são considerados os primeiros a retornar ao desenho da letra romana, mas não são os caras importantes nessa história.

Em Veneza, Jenson vai trabalhar para aquele que é considerado o pioneiro dos editores, Theobaldo Manucci, que adotou o nome latino de Aldus Pius Manutius. Em sua homenagem, em 1984, a primeira empresa a produzir um programa de paginação para computadores (Apple Machintosh) o PageMaker, adota o nome de Aldus. Aldus Manutius encomendava o texto ao pensador ou escolhia dentre os textos enviados pelos “autores”, mandava confeccionar o tipo – que naquele momento já deixara de ser o gótico e retornara ao romano – compor, imprimir e encadernar o livro. Depois comercializava-o. O livro até então era um objeto grande e pesado, para ser lido na biblioteca ou em casa. Aldus cria o livro em pequeno formato, de capa flexível, que podia ser transportado no bolso. Dois dos seus principais tipógrafos são Jenson e Francesco de Bologna, também chamado Griffo. Este desenha uma romana levemente inclinada mas de desenhos específicos para a angulação, diferente de apenas inclinar o desenho romano, o que permite colocar mais letras numa linha, portanto, menos páginas para a mesma quantidade de texto. Logo descobrem que é um tipo de leitura mais lenta, que cansa o leitor mais rápido. Passam a usá-la apenas para destacar trechos do texto. Para grifar, em homenagem ao seu autor. E a  chamá-las itálicas, por sua origem.

Written by José Antonio de Oliveira

setembro 9, 2009 at 1:42 am

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Tipografia

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Todo processo de leitura produz cansaço. Um dos desgastes é o cansaço visual. O conforto ambiental (novamente ele), o corpo do texto, o tipo de papel, a iluminação, o silêncio, a postura física são alguns fatores que acentuam ou atenuam o desgaste. Como vamos tratar de tipografia, o tipo, as famílias de tipos, os corpos de texto são nosso assunto nesse texto.

Não lemos linearmente. Não lemos letra a letra, palavra a palavra, frase a frase. O processo de captura ótica do texto é caótico. O olho percorre as linhas, vai, volta, apreende mais do que compreende. O cérebro junta tudo e dá sentido, compreensão. Quanto mais conhecemos o desenho, a forma, os encaixes dos pares, os vazios, a pontuação, menos cansativo é o processo de leitura, mais fácil é o trabalho do cérebro de juntar tudo.

Tipografia vem do grego. Typos significa forma e graphein, escrita. Tipografia é quase o ato de vestir as palavras. Existe uma leitura que está além da leitura. Quem vai ler nossos textos? Em que prováveis situações? Que reações queremos e esperamos? De que forma, a forma pode ajudar (ou não atrapalhar) o conteúdo. Nesse terreno movediço nos movemos nesse momento. Vamos lá.

Da origem das serifas

Faz muito tempo que se escreve e lê. Os antigos gregos construiram a base do nosso alfabeto, provavelmente aprendido com os mercadores fenícios. Os romanos incorporaram a escrita grega e definiram nosso alfabeto de 26 caracteres. 26 glifos. Na escrita do estado, a dos monumentos e lápides, que narram as histórias, todas as letras eram maiúsculas. Lapidares. Gravada em pedra e metal, produzindo relevo em seus suportes. Da gravação surgiram sulcos e alongamentos nas extremidades, que, hoje, chamamos de serifas. Sua função tanto poderia ser criar uma linha ótica para guiar a leitura quanto uma forma de não permitir que detritos, poeira e insetos se aculmulassem dentro do desenho da letra. A água – da chuva – lavava e escorria. Supostamente esse nome aparece muitos séculos depois, derivado do holandês schriften (penada, literalmente, pois um dos instrumentos usados para escrever era a pena de ganso), pois os alongamentos se mantiveram no desenho da letra quando a escrita é uniformizada pelo bispo da Escócia, Alcuin, por ordem do imperador romano Carlo Magno, que ao se converter ao cristianismo, resolve unificar a escrita da Bíblia. Maiúsculas e minúsculas – até então usadas apenas na escrita cotidiana em materiais moles, passam a ser escritas juntas, cria-se o espaço entre palavras e a pontuação.

Curiosidade, são as versaletes, minúsculas no tamanho (70% da altura das maiúsculas), mas capitulares (letras maiúsculas que abrem capítulos de livros, antigamente ornamentadas, desenhadas ou iluminadas) no desenho. Os gregos escreviam as narrativas épicas em versos com elas. As maiúsculas chamam-se, por isso, versais. As de desenho pequeno, o diminutivo, versaletes.

Written by José Antonio de Oliveira

setembro 4, 2009 at 10:02 pm

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Não confie no seu monitor

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Quando se trabalha com impressão profissional e tratamento de fotografia é essencial que o que vemos no monitor e o resultado impresso sejam coerentes. Muitas vezes não é o que acontece. Existem dois possíveis motivos.

O primeiro deles é o próprio monitor no qual trabalhamos. Monitores são dispositivos de emissão de luz. Trabalham com a combinação de cores primárias de luz, vermelho, verde e azul (em inglês Red, Green and Blue, abreviando, RGB). Impressos são objetos que refletem luz, trabalham com as cores secundárias de luz, ciano(c), magenta(m) e amarelo(y), somados ao preto(k), que dá contraste (cmyk). Ciano, magenta e amarelo combinados não produzem preto, mas um marrom ‘sujo’. Um processo tem 3 canais de cor, o outro quatro, pois com 3 apenas não funcionaria. Essa peculiaridade explica em parte as inconsistências de cor entre os dois processos. Para que monitor e impresso combinem, ambos precisam estar calibrados. Isso não se faz “no olho”, mas através de equipamentos chamados calibradores, que criam um perfil (arquivo) que armazena as informações do dispositivo, o icc profile.

O outro motivo é o gamut. O espectro de cores que é percebido pelo olho humano é maior do que o espaço de cor dos monitores e o espaço de cor possível de ser impresso não só é menor ainda como abrange áreas um pouco diferentes. Há cores que o monitor mostra que não são possíveis serem impressas. Por mais calibrados e próximos estejam, monitor e impressora, sempre haverá diferenças.

Quando trabalhamos profissionalmente, nossas images serão impressas em outros lugares que não nossas impressoras, portanto é importante que o lugar que vai imprimir/ampliar nossas imagens fornaça o icc profile de seu equipamento. É a única garantia de fidelidade.

Ele está em um ambiente corretamente ilumindo? A temperatura de cor, a intensidade e direção das luzes são adequadas? Isso também é parte do conceito de conforto ambiental que afeta diretamente o rendimento do trabalho. Temperatura ambiente, postura correta e mobiliário adequado também são importantes, mesmo não afetando imediatamente a questão “cor”.

Monitores

Os monitores CRT (catodic ray tube) são bons. Aceitam bem a calibração de cor. Mas são cada dia mais raros. Custo das plantas de produção, mão-de-obra, tempo e complexidade de fabricação os tornaram desinteressantes aos fabricantes.

A quase totalidade dos monitores atuais, LCD (liquid cristal display) são de um tipo de painel chamado TN (twisted nematic), que não aceitam, adequadamente, calibração de cores e não são capazes de emitir cores reais 24-bit (16.720.000 cores), fazendo-o por simulação. São ótimos monitores para vermos televisão, assistirmos DVD e brincarmos com videogames. Tem o chamado tempo de acesso baixo, em milissegundos. Mas estabilidade e intensidade de cor estática, menor gamut (espectro de cores ou gama) e ângulo de visão estreito. É um tipo de painel barato, por isso mais acessível.

Existem outros dois tipos de painel LCD, mais caros, óbvio. O VA (vertical alignment) e o IPS (in plane switching) e suas variações. Os VA (s-PVA e m-VA), apesar da adequada capacidade de reproduzir cores, tem regeneração lenta. Tem ótimo ângulo de visão. Os IPS (s-IPS, h-IPS e e-IPS) são os melhores em amplitude, ângulo de visão e confiabilidade e estabilidade de cores. Monitores VA e IPS, então, são mais caros e ainda pouco usados no Brasil.

Os monitores LCD funcionam por emissão de luz por trás do painel, chamada CCFL (cold cathod fluorescent lights). Há também a W-CCFL, que produz um gama mais amplo, mas esse tipo de monitor ainda não é comum. O painel produz “resistência”, necessitando fontes de emissão estáveis e intensas. Quanto melhor o painel, maior resistência.

A tecnologia mais atual usa emissores de luz fria chamados led (light emitting diode), que  tem baixo consumo e não usam mercúrio e chumbo na sua fabricação – são portanto menos poluentes em sua fabricação e descarte. Sua luz gera menos calor, é instantânea e não produz vibração e choque, além de resposta rápida. Existem dois tipos de led, o Withe-led e o RGB-led. Esse último é o que produz cores mais vivas, vibrantes e brilhantes.

Calibração

Processo de ajuste das intensidades das emissões de luz dos canais de cor – (R)ed, (G)reen e (B)lue – em que os pixels (picture element, menor ponto de luz de um dispositivo, que mede aproximadamente 0,34 centésimos de um milímetro – 1 polegada dividida por 72, mesma medida do ponto gráfico, medida básica do processo de impressão). Se faz com um colorímetro ou calibrador de cor. É ligado ao computador, normalmente por uma entrada USB. O software emite intensidades, da ausência a emissão plena de luz, por cada canal de cor individualmente e por todos juntos. O sensor lê e o programa identifica a temperatura de cor correta e seus desvios no monitor que está sendo ajustado. Dois monitores de mesmo fabricante e do mesmo lote não emite cor de forma igual. O processo é feito em cada monitor e não é permanente. Periodicamente ou antes de começar um novo trabalho o processo deve ser refeito. O resultado de cada procedimento é gravado em um arquivo chamado ICC (International Color Consortium) profile.

Assim como acontece com os monitores, as impressoras profissionais precisam ser calibradas e a gráfica, bureau ou laboratório deveria forecer o perfil aos clientes, mas essa ainda é uma prática pouco comum – infelizmente – no mercado brasileiro, aumentando o gasto com provas de pré-impressão e problemas de relacionamento com os clientes.

O pixel

É o menor elemento de uma tela. O seu 0,34 centésimos de milímetro é dividido em três canais de cor e cada canal emite 256 etapas de luminosidade (luz branca, a cor primária e produzida por um filtro), do zero (preto, ausência de luz) ao 255 (branco, luz plena). A combinação de intensidades gera as cores. Quando as 3 luminosidade são iguais, temos cinzas, do quase preto (254,254,254) ao quase branco (1,1,1). Em 128, 128, 128, temos o cinza médio.

Written by José Antonio de Oliveira

outubro 29, 2008 at 9:46 am

Publicado em Cor

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